A surdez é uma deficiência que afeta grande parte da população brasileira. Segundo censo realizado pelo IBGE em 2010, o Brasil tem, aproximadamente, 9,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva, número que equivale a 5,1% da população nacional.

No mesmo sentido, a Organização Mundial de Saúde apurou, em 2011, que mais de 28 milhões de brasileiros sofrem de alguma deficiência auditiva. No mundo, são mais de 360 milhões de pessoas.

A partir desses dados, nota-se que esse tema é extremamente importante, sobretudo para quem sofre desse problema de saúde, e foi isso que nos motivou a elaborar este conteúdo, com informações essenciais sobre a surdez, como o que é, tipos ou níveis de surdez, curiosidades sobre como surgiu o Dia Nacional do Surdo, a realidade no Brasil e projetos e legislações que promovem a inclusão dos surdos como prioridade.

Qualquer pessoa, seja ela leiga ou não neste assunto, é parte do público a que este conteúdo se destina. Vamos lá?

O que é a surdez?

De acordo com a ONG Cochlea, a surdez é uma palavra genérica que serve para expressar a perda auditiva que alguém pode sofrer ao longo de sua vida, em qualquer que seja a faixa etária: criança, jovem e adulto.

Como a surdez surge?

Para entender como a surdez surge, é fundamental compreender a fisiologia da audição e, nesse sentido, ninguém melhor para explicar isso do que Drauzio Varella, um dos médicos mais respeitados profissionalmente.

Segundo Varella, o nosso sistema auditivo é composto por um conjunto de elementos/órgãos que nos permitem perceber e interpretar os diferentes sons. Em resumo, a estrutura do ouvido é composta por três partes, a saber:

1. Ouvido externo

O som é internalizado a partir do ouvido externo, que possui elementos como orelha, canal auditivo e membrana timpânica.

2. Ouvido médio

Após passar pelo ouvido externo, o som entra em contato com o ouvido médio, fazendo um movimento vibratório. Esse movimento vibratório é, posteriormente, transmitido ao ouvido interno. O ouvido médio é composto por: martelo, bigorna, estribo e tuba auditiva.

3. Ouvido interno

O aparelho vestibular e a cóclea formam o ouvido interno. Aqui, células sensíveis transformam os movimentos vibratórios em composições eletroquímicas, que são levadas ao cérebro, fase em que o som é finalmente compreendido e interpretado.

A perda auditiva ocorre quando alguma dessas estruturas é afetada, de modo a fazer com que a pessoa perca a sensibilidade de ouvir. Em alguns casos, é possível reverter a surdez, com a utilização de equipamentos tecnológicos, todavia, quando ela atinge a região do ouvido interno, as chances de reversão são poucas.

Principais causas da surdez

As causas da surdez são várias. A seguir, listamos as principais:

  • Infecções, como sarampo, caxumba e meningite;
  • Tímpano perfurado (região externa do ouvido);
  • Danos severos no ouvido interno, em razão de sons acima dos limites tolerados;
  • Envelhecimento;
  • Exposição intensa a barulhos ou sons altos;
  • Danos nas células nervosas da cóclea;
  • Existência de tumores;
  • Crescimento anormal dos ossos da região do ouvido;
  • Genética.

Níveis de surdez

A teoria moderna a respeito do assunto classifica os níveis de surdez em cinco categorias, a saber:

1. Normal (25 dB — decibel)

A audição é normal e permite que possamos escutar e experienciar os sons que surgem ao nosso redor.

2. Leve (26-46 dB)

Há perda auditiva leve (entre 26 e 46 decibéis) e a pessoa sente dificuldade para escutar algumas consoantes, como f e z, por exemplo.

3. Moderno (41-70 dB)

Há perda auditiva moderada, fazendo com que a pessoa não consiga ouvir o som emitido pela boca de forma natural. Ainda assim, ela consegue escutar barulhos mais intensos, como choro, batida de martelo e furadeira em ação.

4. Severa (71-90 dB)

Aqui, a pessoa não consegue ouvir quase nada, a não ser barulhos precisos e fortes, como latida de cachorro.

5. Profunda (acima de 91 dB)

Nenhum som é compreendido. Nesse caso, o deficiente auditivo precisa fazer leitura labial para entender o que as pessoas estão querendo dizer.

Associações de apoio aos surdos no Brasil

No Brasil, é possível encontrar diversas associações relacionadas ao tema. De acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, em 2015 o país contava com 110 associações de surdos na época. Isso sem deixar de mencionar as federações, clubes, sociedades e congregações de surdos. No total, os estudiosos computaram 136 instituições relacionadas. A região com maior presença de associações de surdos é o Sudeste, com 48 instituições. Em seguida, temos nordeste e sul, com 21, centro-oeste com 11 e norte com 3.

Entre esses números, podemos citar a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS), entidade que presta apoio cultural, social e educacional aos surdos e que luta pela defesa dos direitos desse grupo social. Ela está localizada no Rio de Janeiro, capital.

Esses dados revelam, de certo modo, que há uma gama de associações de apoio à comunidade surda do Brasil, todavia, isso não significa dizer que ela receba a devida atenção.

A realidade dos surdos no Brasil

Os surdos ainda enfrentam uma realidade no Brasil que não é das melhores, a começar pela dificuldade de comunicação (barreira linguística) com os diversos setores da sociedade. De acordo com o Senado Federal, o baixo alcance da língua de sinais leva muitos surdos ao isolamento social, tendo dificuldade para se comunicarem em locais como hospitais, escolas, trabalho e até mesmo nas ruas, para pedir informações.

Não é demais lembrar que a língua brasileira de sinais (Libras) só foi reconhecida em 2002, a partir da Lei 10.436. Talvez isso explique o motivo pelo qual tantas pessoas ainda sentem dificuldade para aprender a língua e utilizá-la no dia a dia, sobretudo, ao se comunicar com pessoas surdas.

De acordo com alguns pesquisadores da Universidade Estadual de Montes Claros, pelo fato de as pessoas não saberem falar libras, muitos surdos deixam de ter acesso a serviços básicos, como saúde e educação.

O problema está justamente na falta de pessoas que possam promover o diálogo entre surdos e quem não sabe libras. O mesmo ocorre na esfera política, tanto que, conforme matéria divulgada pelo Varela Notícias, os surdos reclamaram por não haver intérpretes nas últimas eleições ocorridas na Bahia, impedindo, assim, a sua plena participação na vida política.

O processo de inclusão dos surdos nos diversos setores da sociedade ainda está aquém do que é efetivamente necessário, como se vê. Ainda assim, o Brasil tem dado atenção especial a esse grupo social, mas no que diz respeito à legislação, o que significa dizer que ainda há muito a se fazer no sentido pragmático.

Para entender melhor a realidade do surdos no país, leia educação dos surdos no Brasil.

Legislações voltadas para surdos no Brasil

Nos últimos anos, houve um avanço significativo em relação à criação de dispositivos legislativos para amparar legalmente a comunidade surda no Brasil. Como exemplo, destaca-se o Decreto 5.626, de 2005, que regulou temas importantes, a saber:

  • A linguagem brasileira de sinais foi incluída como disciplina no currículo do ensino básico, ampliando assim o seu alcance e lutando contra o isolamento social dos surdos;
  • Garantiu que os surdos pudessem frequentar os espaços de educação formalizados;
  • Criou garantias para que os surdos fossem atendidos pelo SUS, segundo as suas peculiaridade.

Dia Nacional do Surdo

E, para fechar este conteúdo, não poderíamos deixar de enfatizar a importância do Dia Nacional do Surdo para promover maior conscientização, empatia e respeito em relação a esse grupo social.

O Dia Nacional do Surdo é celebrado em 26 de setembro e foi oficializado pela lei nº 11.796, de 2008, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas por que dia 26 de setembro? De acordo com historiadores, esse foi o dia em que se fundou a primeira escola de surdos no Brasil. Para ser preciso, ela foi fundada em 26 de setembro de 1857, no Rio de Janeiro, pelo então Dom Pedro II. O professor Edouard Huet, que também era surdo, foi convidado por Dom Pedro II para lecionar para crianças surdas, de modo a integrá-las à sociedade.

A inclusão dos surdos no Brasil é um processo antigo, que começa, como vimos, no governo de Dom Pedro II, mas que, ao passar do tempo, sofreu altas e baixas. Ganhou maior fôlego nos últimos governos, com a criação de mecanismos legislativos para difundir, reconhecer e ampliar o seu alcance, de modo a combater a exclusão dos surdos na sociedade.

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