A disfemia é uma desordem na fluência e temporização da fala que afeta milhões de brasileiros. Popularmente conhecido como “gagueira”, o distúrbio tem diversas causas e aparece geralmente nas crianças, podendo ou não persistir ao longo da vida.

A gagueira possui tratamento e dependendo do grau pode ser curada. Segundo a Associação Brasileira de Gagueira (Abragagueira), o diagnóstico pode ser feito a partir de crianças de um ano e meio.

Neste texto, abordaremos todos os aspectos sobre a disfemia. O objetivo é elucidar a questão e explicar, inclusive, que estes cidadãos possuem direitos e merecem respeito.

O que é exatamente a gagueira?

A gagueira é uma condição que afeta a suavidade e facilidade com que algumas palavras são ditas. Para pessoas que têm disfemia, falar é uma atividade um pouco mais complicada, já que a ligação entre sílabas, palavras e frases acaba ficando um pouco mais complexa.

Além da fluência, os indivíduos que possuem o problema têm dificuldades com o tempo e o som das palavras. Palavras cuja sonoridade é mais curta acabam sendo alongadas ou vice-versa.

A condição ainda faz que as pessoas afetadas repitam algumas palavras ou balbuciem (pronunciam sons sem sentido lógico).

Causas

Ainda não se sabe quais as causas exatas da gagueira. O assunto ainda é tema de diversas pesquisas acadêmicas em todo o mundo. Contudo, já é sabido que a condição é um distúrbio neurobiológico resultante do mau funcionamento das áreas do cérebro responsáveis pela fala.

Alguns fatores contribuem com o surgimento da condição. Um deles é a questão genética. Quando há um parente próximo na família que possui disfemia, uma predisposição faz com aumente as chances de que alguém na próxima geração também possua.

Além disso, também é possível que um bebê venha a apresentar gagueira mais tarde após um parto complicado, que gere falta de oxigenação no cérebro da criança.

Motivos psicológicos também são levados em consideração. Apesar disso, a psicologia é considerada mais uma consequência do que uma causa da gagueira. Boa parte dos gagos consegue falar fluentemente quando está sozinho, quando está com crianças ou até mesmo com animais. Por isso, o medo de falar em público aumenta o grau da gagueira.

Sintomas

Os sintomas apresentados por pessoas com disfemia são apresentados única e exclusivamente na hora de falar, a não ser que a condição esteja ligada a alguma outra.

Estão entre os sintomas, segundo a Abragagueira:

  • Repetição de sílabas ou palavras. Por exemplo: “Me empreste a su-sua faca, por favor”;
  • Prolongamento das letras e sílabas. Por exemplo: “Me empreste a sua ffffaca, por favor”;
  • Pausas longas na hora da fala. Por exemplo: “Me empreste a sua (silêncio) faca, por favor”;
  • Pronúncia de padrões sonoros que não fazem sentido (balbuciar).

Curiosidades

A gagueira pode até ser bíblica. Em Êxodo 4,10, Moisés se encontra com Deus e diz o seguinte. “Perdoa, Senhor; não sou de palavra fácil: minha língua é tardia”. Por causa da passagem, alguns teólogos supõem que Moisés quis dizer que era gago.

Apesar da questão não ser literal, parte dos judeus considera que isso é um fato. Um texto judaico chamado de Talmud chega a contar, inclusive, como Moisés teria adquirido disfemia. É importante lembrar, aqui, que esta é uma interpretação dos textos sagrados.

No mundo contemporâneo várias personalidades possuem ou possuíram gagueira. Atores como Rowan Atkinson, James Earl Jones e Emily Blunt já foram gagos e fizeram tratamento. O político inglês Winston Churchill também gaguejava.

Na cultura pop também existem vários personagens com a condição. Um dos mais famosos é o Porky Pig, conhecido no Brasil como “Gaguinho”. Ele é um dos grandes amigos do Pernalonga.

Recentemente uma adaptação literária, que possui um personagem com disfemia, fez bastante sucesso nos cinemas. O filme de terror “It: a Coisa” tem como principal personagem o pré-adolescente Bill. Ele é gago e lidera um grupo de jovens na luta contra um perigo que aparece a cada 23 anos.

Gagos e o canto

Fonoaudiólogos e diversos outros especialistas ainda estão estudando sobre os mecanismos da gagueira. Uma coisa que já se sabe, porém, é o porquê de ela não afetar o ato de cantar, o que é uma dúvida de muita gente.

Nós usamos duas partes diferentes do cérebro ao falarmos e ao cantarmos. Na fala é ativada a parte medial do sistema pré-motor. Na hora de cantar, o lado ativado é o pré-motor lateral. Ou seja, apesar de estarmos emitindo sons pela boca dos dois jeitos, cantar é uma atividade diferente de falar.

A maneira ritmada de pronunciar palavras, que uma cantoria exige, pode fazer até mesmo uma pessoa com gagueira severa cantar sem problemas.

Estatísticas

De acordo com a Abragagueira, atualmente pouco mais de 1% das pessoas do mundo são diagnosticadas com disfemia. Ou seja, mais de 70 milhões de pessoas possuem a condição ao redor do planeta.

Em território nacional são mais de dois milhões de brasileiros. Em porcentagem significa que cerca de 0,7% da população do país possui gagueira.

Mitos e verdades

Muitas inverdades são popularizadas e ajudam a incentivar brincadeiras de mau gosto e bullying com pessoas gagas. O Instituto Brasileiro de Fluência, que promove e estimula o debate sobre o assunto, tem uma lista sobre os mitos em cima do assunto.

Estão entre os principais esclarecimentos sobre o tema:

  • Susto não causa e nem ajuda a curar gagueira;
  • A cura da gagueira não depende somente de “querer”. A condição precisa de tratamento;
  • A gagueira não é um hábito, não é contagiosa e nem voluntária;
  • Não existe correlação científica entre gagueira e falta de inteligência;
  • Crianças não gaguejam para chamar a atenção dos pais, pois a gagueira independe da vontade.

Tratamentos

São duas as principais linhas de tratamento da gagueira: a psicológica e a fonoaudiológica. A primeira entende e trata os aspectos emocionais que afetam a pessoa que possui a gagueira. A segundo linha estimula o aprendizado e ensina técnicas motoras para deixar a fala mais fluente.As duas linhas se complementam.

Existe, ainda, um consenso médico que os tratamentos devem começar o mais rápido possível. Quanto mais cedo o início, melhores serão os resultados. Quando diagnosticada em uma criança, por exemplo, a chance de cura é bastante alta.

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