Como ser você mesmo em uma sociedade que supervaloriza os padrões, ditando comportamentos e estimulando as pessoas a agirem segundo certos valores, costumes ou hábitos já consolidados no tecido social? Como fugir disso tudo e ser feliz expressando quem, de fato, deseja ser, enquanto sujeito que se relaciona com o mundo e com as pessoas e instituições que nele se encontram?

Apostamos que você já se fez estas e outras perguntas ao longo de sua existência, porque já não aguenta mais viver conforme os modelos estabelecidos e reproduzidos não só nas redes sociais, mas também em programas televisivos, como novelas, em livros, cinema e outros meios de comunicação.

Então, a boa notícia é que você pode ligar o foda-se e ser quem deseja. Apesar de difícil, porque requer reflexão, crítica e desconstrução, isso é possível e já foi discutido por muitos pensadores, a exemplo de Michel Foucault, Nietzsche e Paulo Freire. A seguir, conheça as principais ideias desses autores a respeito do tema e seja você mesmo para conquistar o pensamento e o agir livre!

Michel Foucault e o espaço outro

Michel Foucault foi um pensador e filósofo do século passado e contribuiu grandemente para romper paradigmas, introduzindo não só no pensamento da época, mas também desta, ideias de resistência, que serviram e servem para ajudar as pessoas a serem quem elas querem ser.

A metodologia de Michel Foucault consistia em estimular as pessoas a pensarem fora da caixa, criando um “espaço outro”, a partir de um exercício crítico, que fizesse com que elas percebessem que o nosso presente é, até certa medida, fruto das tradições históricas, culturais e sociais das sociedades que por aqui já passaram e persistem.

Com isso, possibilitou que elas observassem que o novo nem sempre é um problema, pelo contrário, conflitua com as tradições, oferecendo uma nova forma de ver, pensar e agir. É justamente nesse processo que surge o espaço outro, ou seja, aquele que até então não existia na sociedade. Entenda espaço não somente como algo físico, no sentido geográfico, mas também como um campo de ideias e de práticas.

Assim, ainda que as ondas estejam contra você, não hesite: seja você mesmo e foda-se! É uma mulher e sente o desejo de pedir um homem em namoro? Faça isso e rompa com a tradição de que é o homem que deve fazer isso! Quer vestir uma roupa que não é bem aceita pela comunidade da qual faz parte, por que acha que vai receber críticas? Vista e quebre esse modelo que dita o que você deve ou não vestir, criando um novo espaço de práticas!

Nietzsche e a crítica aos valores morais

Friedrich Nietzsche foi um importante filósofo e crítico cultural do século XIX. Nascido na Alemanha em 1844, o pensador pôde apreciar, de perto, o movimento religioso da época, de onde tirou o fôlego necessário para elaborar uma densa crítica aos valores culturais e morais, estudos que até hoje são discutidos e servem, de certo modo, para garantir que você seja você mesmo e foda-se!

Para Nietzsche, a moral surge como um conjunto de normas que buscam regular o comportamento humano, impedindo que este pense e aja livremente. O autor defende que os valores morais são intermediados pelos costumes e tradições e passados de geração a geração, de pais para filhos, sem que sejam questionados.

O grande problema surge, afirma o pesquisador em sua obra a “Genealogia da Moral”, quando os valores morais são instrumentalizados, isto é, transformados em ferramentas que são utilizadas para sobrepor a vontade ou ideias de um grupo em relação a um outro. É o que acontece, por exemplo, quando uma mulher usa uma roupa que deseja e gosta, mas que, na visão de outras pessoas, pode tirar a sua honra e o respeito.

Ao conflitar com essa norma, quem nunca se deparou com uma expressão social em tom de negação, crítica e deboche, impedindo assim que você seja quem deseja ser? Era esse tipo de atitude que Nietzsche criticava, chegando inclusive a dizer que a pessoa para ser plenamente feliz precisava se despir dos valores morais presentes na sociedade e criar seus próprios valores.

Nietzsche, com sua filosofia crítica, permite que pensemos fora da caixa e que ajamos conforme os nossos desejos, evitando os conselhos prontos e os memes que ditam regras de comportamentos já consolidados.

Paulo Freire e a pedagogia crítica do cotidiano

Paulo Freire foi um importante educador e pedagogo, considerado por muitos pensadores contemporâneos como um notável pesquisador, tendo influenciado internacionalmente o movimento chamado

O que o pesquisador propunha com a pedagogia crítica? Então, Paulo Freire lutava a favor de uma pedagogia da libertação, que pudesse proporcionar aos alunos um pensamento crítico não só em relação ao que fosse ensinado, mas também no que dissesse respeito à realidade de cada um e de suas regiões, de modo que com isso o modelo de ensino fosse plural.

Em outras palavras, o que Paulo Freire propunha era um modelo de ensino horizontalizado, que levasse em consideração os contextos, sem, portanto, omitir dados históricos e realidades contemporâneas. Ao propor isso, ele acreditava que as pessoas poderiam oferecer mais soluções para resolver os problemas locais e pensar de forma livre.

Ainda que Paulo Freire tenha centralizado seus escritos na pedagogia crítica, ele nos deixa um legado que pode ser utilizado não só em sala de aula, nas escolas, mas também em nosso dia a dia.

Mais do que propor uma forma de ensino e de apreender o mundo, o autor nos ensina a criticar e a questionar os modelos, as estruturas, os valores, o que é dado como certo ou errado. Ele ensina a sermos felizes a partir do exercício da pedagogia crítica do cotidiano, dos memes e mensagens que veiculam informações que reforçam tradições, costumes e hábitos, dos livros de autoajuda que oferecem supostas fórmulas para encontrarmos a felicidade.

Ser você mesmo não é apenas uma questão de escolha, vale dizer; é, sobretudo, um desafio diário ou condição que você propõe a si com o objetivo de se tornar mais livre e feliz, despida dos valores, costumes e hábitos que regem os normais. E então, você deseja ser normal ou diferente? A escolha cabe a você!

 

O post Romantização do foda-se, sobre ser você mesmo apareceu primeiro em Blog da HUMAN | Moda com conceito.



Fonte do Artigo

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui