Você conhece alguém com dificuldade de viver o presente? Que se agarra nas felicidades mas principalmente, nas dores do passado? Conta e reconta cada detalhe do sofrimento, da dor, da solidão, do medo que viveu. Quando ela conta… ela revive. E a tristeza no olhar demonstra que ela sente tudo novamente, como se aquelas dores do passado estivessem acontecendo aqui, agora.

É nesse passado também que ela encontra a culpa. A culpa de ter sofrido, a culpa de terem feito ela sofrer e de ter feito outro sofrer (que é o que mais a faz sofrer!). Mesmo que esse sofrimento, na verdade, seja só dela. Ela virou refém da própria dor, vítima da própria história e acaba fazendo o mesmo com as pessoas que ela mais queria proteger.

dores do passadoA vida é feita de alegrias e de tristezas, de prazer e dor, de vitórias e derrotas, de luz e sombra. Mas cabe a nós, somente a nós, ver isso como sabedoria para tocarmos nossas vidas, ou como uma sentença. É muito mais fácil nos tornarmos vítimas, é muito mais fácil transformar o outro em coitado.

Mas tudo, tudo, tudo que passamos na vida tem um lado bom. Você consegue tirar de qualquer situação um aprendizado, uma lição, um crescimento. Tudo que acontece com a gente podemos dar um novo significado e pode nos ajudar a evoluir na nossa vida.

Quando a gente escolhe (sim, é uma escolha) lamentar, carregar culpa, dor e sofrimento, ficamos estagnadas na vida. Nos tornamos pessoas tristes, que se lamentam e, por nos culparmos demais, acabamos julgando e culpando os outros na mesma intensidade. Mais fácil ainda é se agarrar tanto no sofrimento e acabar achando que ninguém sofreu como nós e até menosprezar a dor alheia. 

Acolher o sofrimento e entender que ele é parte fundamental do seu crescimento é a melhor coisa que você pode fazer por você. Só quando você aceita a sua história e trajetória de vida, consegue transformar dor em renascimento, sofrimento em esclarecimento e culpa em perdão. E temos a capacidade de ensinar isso para as pessoas que amamos.

Todos nós sentimos dor. Mas cada um de nós lida com ela de formas diferentes. A forma que você lida com a dor está te ajudando no seu crescimento e no crescimento das pessoas que você ama? Está te libertando ou te aprisionando? Está fazendo com que você construa um futuro melhor ou te deixando presa ao passado? Está fazendo você sentir pelos outros sentimentos encorajadores ou pena?

Sem perceber, também temos a tendência em “honrar” a história da nossa família mesmo que ela seja dolorosa. Quantas pessoas depressivas você conhece que a mãe era depressiva e a avó também? E o quanto você não vê em você mesma, padrões e  comportamentos nocivos que você vê nos seus pais? Ou reagindo a uma situação de uma forma negativa, dramática ou sofrida, exatamente como sua mãe faria?

Entender que você não precisa repetir padrões e que você pode sim se libertar da dor que passa de geração em geração na sua família é um dos primeiros passos para quebrar ciclos de sofrimento e ser feliz.

Ser feliz não é final de novela. Ser feliz não é “e viverão felizes para sempre”. Ser feliz é entender que as dores te construíram e te melhoraram e fazem parte da sua história, assim como o amor. Dores são partes fundamentais do nosso crescimento.

Imagine uma pessoa que foi poupada de dor e sofrimento a vida toda. As chances dessa pessoa sentir menos empatia pelo próximo, se tornar mais egoísta, mais superficial e até apáticas, são enormes. Só temos compaixão porque entendemos o que é sofrer, só entendemos a importância de dividir se algo já nos foi privado, negado.

Só entendemos a complexidade das emoções quando sentimos todos os sentimentos bons e ruins, só valorizamos a alegria quando já vivemos tristezas profundas. Por isso, eu acredito que se você ama alguém, seria melhor não poupá-la de todas as formas da dor. Mas ensinar ela a ver a chance de começar de novo, mais forte, com mais experiência e com mais humanidade. Na dor, você ensina superação, garra.

Sem amor, não crescemos, não amadurecemos, não construímos uma versão melhor de nós mesmas. E acredite, o mesmo serve para a dor.

A dor pode ser a âncora perfeita para não sair do lugar, para lamentar, para dar desculpas, para justificar, para se vitimizar e até para santificar, ou demonizar os outros. O sofrimento pode ser âncora se assim você escolher.

Mas também pode ser trampolim. A ave mitológica fênix, renasce das cinzas renovada e sempre mais forte. Aprenda a perdoar os outros, mas principalmente, aprenda a se perdoar. Não fuja da dor e não esconda as dores do mundo das pessoas que você ama.

 Não existe liberdade na culpa, não existe felicidade na culpa, não existe clareza na culpa.

Escolha fazer da sua dor um aprendizado para uma versão melhor e mais feliz de você mesma e ensine quem você ama a fazer o mesmo.

— ♥

dores do passado

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